Posted tagged ‘Crônicas de Odilon’

Cuma?

04/24/2010

A dengue é um problema sério e mal resolvido. Sai ano e entra ano, de repente somos surpreendidos (ou não) com a notícia de que o Brasil está na iminência de uma epidemia da doença. Em 2010 não está sendo diferente. A culpa por isso, interrogação. Parte é da população que não contribui com as medidas de combate necessárias. Mas a culpa mesmo é do Governo, que não instruiu como deveria a população, ou seja, de forma clara, eficaz e permanente.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, está sendo veiculada uma propaganda na televisão cujo pretexto é informar a população sobre as medidas de combate contra o mosquito da dengue. Contudo, ao invés de tratar o assunto de forma séria e, principalmente, clara, os responsáveis pelo comercial resolveram transformar o assunto em piada. De fato, o comercial não instrui o popular de maneira contundente. Para entender a mensagem que o comercial pretende passar, o telespectador precisa interpretar a narrativa. A prefeitura só se esqueceu que o problema da dengue é causado justamente nas áreas onde vivem pessoas com menor capacidade de compreensão.

Na internet é possível encontrar campanhas parecidas. A da cidade de Florianópolis também trata o assunto como brincadeira (veja aqui). Não chama a atenção do popular como deveria, principalmente das pessoas que não possuem grande discernimento (cerca de 70% da população). Trata a dengue como se fosse um pernilongo. Verdadeiro desserviço.

Um país de primeiro mundo fatalmente trataria do assunto de forma diferente. Lembro-me uma vez que estava em Londres e vi uma campanha na televisão voltada ao combate contra os taxis irregulares. Nela uma jovem pega um taxi desses sem licença e acaba estuprada pelo motorista. A mensagem foi bastante clara. Até o Neto entenderia.

Odilon o Pensador, fazendo sua parte

Se chorei ou se sorri, o importante é…

04/09/2010

As tragédias (anunciadas) ocorridas no Rio de Janeiro nos últimos dias vão servir para alguma coisa.

Vão servir de pretexto para os políticos do Rio de Janeiro reforçarem, reivindicarem, implorarem pelos royalties da exploração do petróleo no Estado. Vamos precisar desse dinheiro para reconstruir parte da cidade e fazer obras para prevenir que tragédias como essa não ocorram novamente, dirá Sérgio Cabral, governador carioca que literalmente chorou (assiata aqui a essa cena lamentável) por conta da provável repartição do dinheiro do petróleo por todos os Estados do Brasil, caso seja aprovada a emenda constitucional do (ex)anão Ibsen Pinheiro. Aliás, não vi nenhuma lágrima do Sr. Sérgio Cabral  pelas mortes ocorridas nos últimos dias.

Vão servir também como defesa para a candidatura de José Serra. As enchentes na cidade de Sâo Paulo eram umas das armas que fatalmente seriam utilizadas por Dilma Rousseff para atacar o tucano, governador do Estado na época  dos alagamentos diários. Com a tragédia na cidade maravilhosa, Serra poderá alegar que problema causado por chuva intensa não é exclusividade de São Paulo. Citará o Rio, Estado governado pelo PMDB, aliado do PT na campanha presidencial (aliás, o vice de Dilma provavelmente será do PMDB).

É a politicaiada se aproveitando da desgraça do povo.

A tragédia (repito, anunciada) na cidade olímpica só não vai servir de motivo para que o Estado melhore as condições de moradia da população. Isso é bobagem. Não vale a pena nem chorar.

Odilon “O Pensador”, correspondente da cidade satélite de Gama


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